O que é Diabetes Mellitus em Cães?
Diabetes mellitus é uma doença metabólica crónica na qual o corpo não consegue produzir insulina suficiente ou não consegue utilizar a insulina eficazmente. Em cães, a forma mais comum é a diabetes deficiente em insulina, onde as células beta do pâncreas são danificadas ou destruídas, levando a níveis persistentemente elevados de glicose no sangue. Sem o tratamento adequado, a diabetes pode causar complicações secundárias graves — incluindo cataratas, infeções do trato urinário e uma crise potencialmente fatal conhecida como cetoacidose diabética (CAD).
Os cães de meia-idade a idosos são os mais comumente afetados, e as fêmeas inteiras têm um risco significativamente superior ao dos machos, em grande parte porque a progesterona libertada durante o dioestro antagoniza a insulina. Certas raças — incluindo Samoyeds, Terriers Australianos, Schnauzers em Miniatura e Pugs — têm uma predisposição genética mais elevada.
Sinais Clínicos a Observar

Os quatro sinais característicos da diabetes em cães são frequentemente lembrados pela sigla PUPD-WL: poliúria (micção excessiva), polidipsia (consumo excessivo de água), polifagia (aumento do apetite) e perda de peso apesar de comer bem. Estes sinais desenvolvem-se porque a glicose se acumula na corrente sanguínea em vez de entrar nas células, causando que os rins derramem glicose na urina e atraiam grandes volumes de água com ela.
- Beber significativamente mais água do que o habitual
- Urinar frequentemente, às vezes dentro de casa durante a noite
- Perda de peso inexplicável apesar de um apetite bom ou aumentado
- Letargia e tolerância reduzida ao exercício
- Uma pelagem baça e despenteada
- Olhos turvo ou azulados — um sinal de cataratas diabéticas, que se desenvolvem rapidamente em cães
- Infeções recorrentes do trato urinário
As cataratas são particularmente notáveis em cães e podem desenvolver-se no espaço de semanas após o início. Formam-se porque o excesso de glicose é convertido em sorbitol dentro da lente, causando inchaço osmótico e perturbação das fibras da lente. Mesmo cães diabéticos bem controlados podem eventualmente desenvolver cataratas.
Diagnóstico: Como os Veterinários Confirmam Diabetes
Um diagnóstico definitivo requer demonstrar hiperglicemia persistente (glicose no sangue elevada) juntamente com glicosúria (glicose na urina). Uma única leitura elevada de glicose no sangue não é suficiente, pois o stress pode aumentar transitoriamente a glicose em cães — embora tipicamente não no mesmo grau extremo que em gatos.
O seu veterinário normalmente executará:
- Glicose no sangue em jejum: valores consistentemente acima de 11–14 mmol/L (200–250 mg/dL) juntamente com sinais clínicos são diagnósticos
- Teste de tira de urina e análise de urina: para confirmar glicosúria e rastrear infeção concorrente do trato urinário
- Frutosamine: este teste mede proteínas séricas glicosiladas e reflete a glicose média no sangue durante as duas a três semanas anteriores, ajudando a distinguir a verdadeira diabetes da hiperglicemia induzida pelo stress
- Painel completo de hematologia e bioquímica: para avaliar a função dos órgãos e rastrear doenças concorrentes, como hiperadrenocorticismo ou pancreatite, que podem causar resistência à insulina
As diretrizes da WSAVA (World Small Animal Veterinary Association) enfatizam diagnósticos de base completos antes de iniciar a terapia com insulina, pois as condições concorrentes afetam dramaticamente os resultados do tratamento.
Terapia com Insulina na Europa

O tratamento principal em cães é a insulina injetável administrada uma ou duas vezes por dia. Na Europa, os preparados mais comumente utilizados incluem:
- Caninsulin (insulina lente suína): um produto com licença veterinária autorizado em toda a UE, normalmente iniciado a 0,5 UI/kg uma vez por dia
- Insulina NPH (isófana): utilizada duas vezes por dia em alguns casos
- Glargine e detemir: ocasionalmente utilizadas quando as insulinas de ação intermédia não conseguem atingir controlo adequado
O consenso ECVIM-CA (European College of Veterinary Internal Medicine — Companion Animals) recomenda que os ajustes de dose de insulina sejam baseados em curvas de glicose realizadas em casa ou na clínica, tendo como alvo uma glicose nadir (ponto mais baixo) de 5–8 mmol/L e evitando hipoglicemia. Os proprietários são normalmente treinados para administrar injeções subcutaneamente, mais comumente na nuca ou flancos.
Gestão Dietética
A dieta desempenha um papel importante de apoio em cães diabéticos. Uma rotina de alimentação consistente — a mesma comida, nas mesmas quantidades, às mesmas horas todos os dias — ajuda a manter excursões de glicose previsíveis após as refeições. Os princípios dietéticos chave incluem:
- Fibra dietética elevada para abrandar a absorção de glicose e atenuar picos pós-refeição
- Conteúdo proteico moderado e consistente
- Gordura baixa, especialmente importante se houver pancreatite concorrente
- Evitar açúcares simples e petiscos açucarados
Dietas diabéticas prescritas estão disponíveis através do seu veterinário. Para petiscos do dia a dia, Zooplus tem um acessível a uma variedade de opções com baixas calorias e sem grãos que podem ser incorporadas em pequenas quantidades sem perturbar o controlo glicémico — sempre verifique os ingredientes quanto a açúcares adicionados antes de comprar.
Monitorização em Casa
Muitos proprietários monitorizam com sucesso a glicose do seu cão em casa usando glicómetros portáteis concebidos para animais de estimação, ou sistemas contínuos de monitorização de glicose. Um registo diário de consumo de água, frequência de micção, apetite e peso corporal fornece ao seu veterinário informações inestimáveis para ajustes de dose. As diretrizes da WSAVA apoiam a monitorização em casa como um componente-chave da gestão diabética.
Quando Procurar Cuidados Veterinários de Emergência
A cetoacidose diabética (CAD) é uma complicação potencialmente fatal que requer hospitalização imediata. Ocorre quando o corpo decompõe gordura a uma taxa extrema na ausência de insulina suficiente, produzindo corpos cetónicos tóxicos.
Contacte o seu veterinário imediatamente ou vá a uma clínica de emergência se o seu cão apresentar:
- Vómitos ou recusa de comer, especialmente se a insulina já foi administrada
- Letargia, fraqueza ou colapso
- Um cheiro doce ou frutado no hálito
- Respiração rápida ou dificultosa
- Sinais de hipoglicemia após insulina: tremores, desorientação, convulsões
Se suspeitar de hipoglicemia — causada por demasiada insulina, refeições perdidas ou exercício incomum — esfregue uma pequena quantidade de gel de glicose ou mel nas gengivas e procure atenção veterinária imediatamente. Nunca administre insulina se o seu cão não tiver comido.
Prognóstico a Longo Prazo
Com terapia consistente com insulina, dieta apropriada e consultas veterinárias regulares (normalmente a cada três a seis meses uma vez estável), a maioria dos cães diabéticos desfruta de uma boa qualidade de vida. O diagnóstico precoce, o comprometimento do proprietário e a comunicação próxima com o seu veterinário são os fatores mais importantes para um resultado positivo. Algumas fêmeas inteiras entram em remissão após castração se a diabetes foi desencadeada pela progesterona durante o dioestro.
Escrito por Julia Wrenfield
