O Gato que Soa Congestionado mas Nunca Melhora
Se o seu gato tem um ruído persistente de fungadela, respiração ruidosa ou uma voz que soa diferente, e cursos repetidos de antibióticos fizeram pouca diferença duradoura, um pólipo nasofaríngeo pode ser a explicação que ninguém considerou até agora. Estes crescimentos carnudos benignos são uma das causas mais frequentemente negligenciadas de sinais respiratórios superiores crónicos em gatos, particularmente em animais mais jovens. A boa notícia é que não são cancerígenos — mas precisam ser encontrados e removidos.
O Que São Pólipos Nasofaríngeos
Os pólipos nasofaríngeos são crescimentos inflamatórios não-cancerígenos que surgem da membrana mucosa que reveste o ouvido médio ou a trompa de Eustáquio — o canal estreito que liga o ouvido médio à parte posterior da garganta. À medida que crescem, estendem-se pelo caminho de menor resistência, normalmente emergindo para a nasofaringe (o espaço na parte posterior da passagem nasal, acima do palato mole) ou para o canal auditivo externo. Ocasionalmente, um único pólipo estender-se-á em ambas as direcções simultaneamente.
São compostos por tecido conjuntivo fibroso coberto por epitélio respiratório, com infiltrado variável de células inflamatórias. Apesar do seu tamanho e dos problemas que causam, não têm potencial maligno.
Quem os Desenvolve e Porquê
Os pólipos nasofaríngeos ocorrem mais frequentemente em gatos jovens, com muitos casos diagnosticados antes dos dois anos de idade, embora possam ocorrer em gatos de qualquer idade. Não há predisposição forte de raça identificada na evidência disponível, embora alguns clínicos os observem mais frequentemente em certas populações.
A causa exacta não está totalmente estabelecida. A inflamação crónica secundária a infecção por herpesvírus felino ou calicivírus é uma das principais hipóteses, pois estes vírus são endémicos em populações felinas e podem causar inflamação persistente do ouvido médio e mucosa da trompa de Eustáquio. Alguns investigadores propuseram um componente congénito em certos casos. A realidade é que na maioria dos casos individuais o desencadeador preciso não pode ser identificado.
Sinais Clínicos a Observar

Sinais Respiratórios
A apresentação mais característica é a respiração ruidosa — estertores, que é um som baixo de ronco ou fungadela gerado nas vias aéreas superiores, em contraste com o zumbido agudo das doenças das vias aéreas inferiores. O gato pode respirar pela boca em casos graves, ou mostrar respiração dificultosa durante a actividade. Pode haver descarga nasal, embora esta seja frequentemente secundária à drenagem obstruída em vez de infecção propriamente dita. Gatos com pólipos grandes ocupando a nasofaringe podem ter uma voz acentuadamente alterada ou parecer permanentemente congestionados.
Sinais Auditivos
Quando o pólipo se estende para o canal auditivo externo, os sinais sobrepõem-se aos da doença do ouvido — agitação da cabeça, coçar na orelha, inclinação da cabeça e ocasionalmente perturbação vestibular se o ouvido médio for significativamente afectado. Uma massa pode ser visível no canal auditivo no exame otoscópico.
Dificuldades na Deglutição
Em alguns gatos, particularmente quando o pólipo é grande, pode haver dificuldades na deglutição ou relutância em comer, pois a massa obstrui parcialmente o espaço faríngeo.
Chegando ao Diagnóstico

O diagnóstico requer exame sob sedação ou anestesia geral. A inspecção visual da nasofaringe — pela retracção do palato mole com um espelho dental ou utilização de um endoscópio flexível — revelará o pólipo se este se estender para esse espaço. O exame otoscópico avalia os canais auditivos. A imagiologia avançada, particularmente a tomografia computorizada, é altamente recomendada antes da cirurgia porque define a origem e extensão precisas do pólipo, identifica envolvimento do ouvido médio (bula timpânica) e orienta o planeamento cirúrgico. Esta informação influencia directamente qual abordagem cirúrgica resultará no melhor resultado e menor taxa de recorrência.
Tratamento
Avulsão por Tracção
A abordagem tradicional de remoção é avulsão por tracção — o pólipo é apreendido com fórceps e removido aplicando tracção constante até o pedículo quebrar. Isto é directo e pode ser realizado com equipamento básico sob anestesia geral. No entanto, as taxas de recorrência são relativamente altas, reportadas em vários estudos como estando entre 25 e 50 por cento, porque a origem dentro da trompa de Eustáquio ou ouvido médio não é abordada.
Osteotomia Ventral da Bula
Quando a imagiologia por TC confirma envolvimento da bula timpânica — ou quando a recorrência ocorreu após avulsão por tracção — recomenda-se uma osteotomia ventral da bula (OVB). Este procedimento cirúrgico abre a bula através de uma incisão sob a mandíbula, permite remoção completa do tecido inflamatório dentro do ouvido médio, e reduz dramaticamente a taxa de recorrência para menos de 5 por cento na maioria das séries. É um procedimento mais envolvido mas representa o tratamento mais definitivo, particularmente para pólipos que surgem do ouvido médio.
Considerações Pós-Operatórias
A síndrome de Horner — caracterizada por pupila pequena, pálpebra caída, terceira pálpebra elevada e olho afundado no lado operado — é uma complicação reconhecida de OVB devido à proximidade das fibras nervosas simpáticas. Na maioria dos gatos isto resolve-se espontaneamente ao longo de semanas a meses. Os sinais vestibulares também podem ocorrer temporariamente. O seu veterinário deve discutir estas possibilidades consigo antes da cirurgia.
Prognóstico Após Tratamento
O prognóstico após tratamento apropriado é excelente. A maioria dos gatos recupera uma respiração consideravelmente mais silenciosa e confortável, e a melhoria na qualidade de vida é frequentemente dramática. O monitoramento regular é aconselhável para detectar qualquer recorrência precocemente, e qualquer condição viral ou inflamatória subjacente deve ser gerida para reduzir o risco de formação de novos pólipos.
Resumo para Donos de Gatos
- Respiração persistentemente ruidosa, fungadela, ou problemas de ouvido em um gato jovem — especialmente um que não respondeu completamente aos antibióticos — justifica investigação
