O Apelo e o Risco
A medicina herbal para animais de estimação ocupa um espaço significativo e crescente no mercado de saúde animal. Muitos donos são atraídos por produtos à base de plantas por desejarem soluções "naturais" para problemas de saúde dos seus animais de estimação, um ceticismo compreensível sobre o uso farmacêutico a longo prazo, ou pela linguagem de marketing que rodeia estes produtos. A realidade, no entanto, é consideravelmente mais complicada do que a embalagem sugere. Algumas plantas têm evidência significativa para apoiar o seu uso em animais. Outras são ativamente perigosas, mesmo em pequenas quantidades. E o marco regulatório que normalmente proporcionaria proteção do consumidor em torno de produtos medicinais está amplamente ausente do setor de plantas para veterinária.
Plantas com Alguma Evidência
Cardo de Leite (Silybum marianum) — Silibarina para Suporte Hepático
O cardo de leite é um dos remédios à base de plantas mais estudados em medicina veterinária. O composto ativo, silibarina, é um grupo de flavonolignanas com propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e hepatoprotetoras (protetoras do fígado) demonstradas. Estudos in vitro e em animais mostraram que a silibarina pode reduzir danos às células hepáticas em resposta a toxinas e condições inflamatórias. É utilizado clinicamente em cães como tratamento de suporte para doença hepática, juntamente com terapia hepática convencional, e como agente protetor quando cães estão em medicações a longo prazo com efeitos hepáticos conhecidos.
O cardo de leite é geralmente considerado seguro para cães em doses apropriadas e é um dos poucos suplementos à base de plantas veterinários que veterinários discutirão frequentemente como terapia adjunta legítima. Contudo, "seguro" não significa "sem considerações de dose" — até suplementos bem tolerados podem causar problemas em doses altas, e o cardo de leite não deve substituir o diagnóstico veterinário adequado e o controlo da doença hepática.
Valeriana (Valeriana officinalis) — Ansiedade e Stress
A raiz de valeriana é utilizada tanto em contextos humanos como animais como um agente ansiolítico (redutor de ansiedade) suave. A evidência em animais de estimação é limitada mas sugere algum benefício na redução de respostas ao stress em cães e gatos em situações como viagens, fogos de artifício e visitas veterinárias. Os compostos ativos pensam-se interagir com recetores GABA no sistema nervoso, produzindo um efeito calmante suave. A valeriana é um ingrediente em vários produtos calmantes veterinários licenciados disponíveis no Reino Unido. Como com todos os ansiolíticos à base de plantas, o efeito é suave e pode não ser suficiente para animais com perturbações de ansiedade significativas, para os quais a avaliação veterinária e a intervenção farmacêutica podem ser mais apropriadas.
Equinácea — Suporte Imunitário (Eficácia Debatida)
A equinácea é amplamente comercializada como um suplemento de reforço imunitário para animais de estimação. A evidência em pacientes animais é limitada e inconsistente. Alguns estudos sugerem efeitos imunoestimulantes modestos, enquanto outros não mostram benefício significativo. Existem também preocupações sobre o uso apropriado — o uso contínuo a longo prazo não é recomendado nem em medicina humana, e o conceito de "reforço" imunitário é uma simplificação da regulação imunitária complexa. A equinácea não deve ser dada a animais com condições autoimunes ou aqueles em medicações imunossupressoras sem orientação veterinária.
Plantas e Substâncias que São Tóxicas para Animais de Estimação
Esta secção cobre algumas das toxinas mais importantes derivadas de plantas para os donos de animais de estimação estarem cientes. A lista não é exaustiva — muitas plantas comuns e ingredientes à base de plantas apresentam riscos para animais de companhia, e os donos devem sempre verificar a segurança de qualquer suplemento com o seu veterinário antes da utilização.
Poejo — Tóxico para Cães
O poejo (Mentha pulegium) é um membro da família da hortelã historicamente utilizado como repelente de pulgas. O óleo de poejo contém pulegona, um composto que é tóxico para o fígado. Os cães expostos ao óleo de poejo — incluindo através de tratamentos "naturais" contra pulgas aplicados topicamente — podem desenvolver insuficiência hepática grave. Os casos de toxicidade por poejo foram fatais. Apesar deste risco bem documentado, o óleo de poejo continua a aparecer em alguns produtos naturais contra pulgas. Os donos devem ler as listas de ingredientes cuidadosamente e nunca utilizar qualquer produto contendo óleo de poejo em ou perto do seu cão.
Alho — Tóxico para Gatos e Tóxico Mesmo em Pequenas Doses
O alho (e a família Allium mais ampla, incluindo cebolas, alhos-franceses e cebolinhas) contém compostos chamados tiossulfatos que causam danos oxidativos aos glóbulos vermelhos em animais de estimação, levando a anemia hemolítica. Os gatos são significativamente mais sensíveis à toxicidade do Allium do que os cães, mas os cães também estão em risco. Um conceito errado comum é que pequenas quantidades de alho são seguras ou até benéficas para cães. Isto não é apoiado pela toxicologia veterinária. Mesmo pequenas doses repetidas de alho podem acumular-se e causar danos hematológicos. A suplementação com alho para cães deve ser evitada inteiramente, independentemente de afirmações anedóticas sobre suporte imunitário ou prevenção de pulgas.
Óleo de Árvore de Chá (Melaleuca alternifolia) — Tóxico para Gatos e Cães
O óleo de árvore de chá é um óleo essencial altamente concentrado com propriedades antimicrobianas. É encontrado numa vasta gama de produtos de higiene pessoal humana e aparece em alguns produtos de higiene animal. Tanto os gatos como os cães podem ser envenenados pelo óleo de árvore de chá — os gatos são particularmente vulneráveis devido à sua capacidade limitada de metabolizar certos compostos através da glucuronidação hepática. Os sinais de toxicidade incluem salivação, letargia, perda de coordenação, tremores, e em casos graves, colapso. A toxicidade pode ocorrer através da absorção pela pele assim como pela ingestão. Nenhuma concentração de óleo de árvore de chá pode ser considerada segura para aplicação direta em gatos, e até produtos diluídos apresentam um risco.
Eucalipto
O óleo de eucalipto e o material de plantas é tóxico tanto para gatos como para cães. Os compostos ativos — cineol e outros terpenos — causam perturbação gastrointestinal, sinais neurológicos e depressão respiratória. O eucalipto é encontrado em alguns óleos para difusores, produtos de limpeza natural e remédios à base de plantas. Difundir óleo de eucalipto numa casa com gatos ou cães apresenta um risco real, pois a exposição respiratória pode causar sinais mesmo sem contacto direto.
Xilitol em Algumas Formulações Herbais
O xilitol é um álcool de açúcar natural utilizado como adoçante em algumas formulações à base de plantas.
```