Microchipagem de Cães em Portugal: Tudo o Que Precisa Saber
A microchipagem do seu cão não é opcional em Portugal — é uma obrigação legal. Desde abril de 2016, todos os cães em Portugal têm sido obrigados por lei a serem microchipados e registados numa base de dados aprovada antes de atingirem oito semanas de idade. Os proprietários que não cumprem enfrentam multas que podem chegar aos €500. Apesar disso, um número significativo de cães em Portugal permanece ou sem microchip ou registado em bases de dados desatualizadas, reduzindo as hipóteses de reunião se desaparecerem.
O Que é um Microchip e Como Funciona?
Um microchip é um dispositivo eletrónico minúsculo, aproximadamente do tamanho de um grão de arroz, que é implantado sob a pele usando uma agulha oca. Não contém bateria e é completamente passivo — não transmite qualquer sinal por si próprio. Quando um scanner compatível é passado sobre o chip, o scanner emite um sinal de radiofrequência que alimenta o chip momentaneamente e lê o número de identificação único de 15 dígitos armazenado no seu interior.
Esse número é então verificado numa base de dados de microchips, que deve conter os dados de contacto do proprietário associados a esse número específico. O chip em si não contém informações pessoais — apenas o número. É por isso que manter o registo da base de dados atualizado é tão importante quanto ter o chip implantado em primeiro lugar.
A Norma ISO: Por Que Importa
Todos os microchips implantados em Portugal devem estar em conformidade com a norma ISO 11784/11785. Esta norma internacional especifica o formato de 15 dígitos e a frequência de 134,2 kHz na qual o chip funciona. A conformidade com a norma ISO garante que um chip implantado em Portugal pode ser lido por scanners utilizados por veterinários, centros de resgate e autoridades locais em toda a Europa e em muitos outros países.
Chips mais antigos de algumas marcas baseadas nos EUA, como AVID e Home Again, funcionam em frequências diferentes (125 kHz ou 128 kHz) e não são legíveis por scanners ISO padrão, a menos que o scanner seja um modelo universal multi-frequência. Se o seu cão foi microchipado nos Estados Unidos ou noutro país antes de chegar a Portugal, vale a pena verificar o chip com o seu veterinário para confirmar que está em conformidade com a ISO. Para viagens internacionais, os chips ISO de 15 dígitos são um requisito para entrada na maioria dos países, incluindo os estados membros da UE.
Técnica Apropriada de Leitura: A Varredura em Forma de Cruz

Uma das razões mais comuns pelas quais um microchip não é detectado é a técnica de leitura deficiente. Como os chips podem migrar do seu local de implantação original ao longo do tempo, um scanner mantido numa única posição pode perder o chip completamente. A varredura correta envolve mover o scanner em padrão de cruz pelas costas inteiras do cão, do pescoço até à cauda e depois de um lado para o outro pelos ombros.
O scanner deve ser mantido perto da pele e movido lentamente. Apressar a varredura é uma causa frequente de leituras falhadas. Se um chip não for encontrado, não significa necessariamente que o cão não tem microchip — pode significar que a varredura não foi suficientemente cuidadosa ou que o chip migrou significativamente.
Migração do Chip: O Que É e O Que Fazer
Os microchips são normalmente implantados na parte de trás do pescoço, entre as omoplatas. No entanto, ao longo do tempo um chip pode mover-se — às vezes uma distância curta, às vezes consideravelmente mais longe pelas costas, ao longo do lado do corpo ou até mesmo para uma perna. Isto é conhecido como migração do chip e é mais comum do que muitos proprietários percebem.
A migração não afeta normalmente a função do chip, mas pode dificultar a sua localização. Se o seu veterinário ou um centro de resgate não conseguir encontrar o chip do seu cão, peça-lhes para varrerem todo o corpo sistematicamente utilizando a técnica em forma de cruz antes de concluir que o chip está ausente. Em casos raros, um chip pode falhar eletronicamente, caso em que é recomendada a re-microchipagem.
Pode pedir ao seu veterinário que verifique a localização do chip do seu cão em cada visita anual de saúde. Isto leva apenas alguns segundos e garante que o chip pode ser encontrado rapidamente numa emergência.
Mantendo o Seu Registo Atualizado
Esta é a área onde muitos proprietários de cães ficam aquém. O chip em si é permanente, mas o registo da base de dados é apenas tão útil quanto a sua precisão. Se se mudar de casa, mudar o seu número de telefone ou endereço de email, ou transferir a propriedade do seu cão, deve atualizar a base de dados relevante. Não o fazer significa que mesmo que o seu cão seja encontrado e lido, os dados de contacto registados estarão errados e a reunião pode ser atrasada ou impossível.
Em Portugal, várias bases de dados de microchips aprovadas estão autorizadas a manter registos de registo de cães. As principais incluem:
- Petlog (gerida pelo The Kennel Club)
- Microchip Central
- Dog Lost
- PetDatabase
- Animal Microchips
O serviço de consulta de microchip Check a Pet do governo em checker.microchipcentral.com permite a qualquer pessoa pesquisar múltiplas bases de dados utilizando um número de chip. No entanto, atualizar o seu registo deve ser feito diretamente com a base de dados específica em que o seu cão está registado. Algumas bases de dados cobram uma pequena taxa de administração para atualizações ou transferências de propriedade.
Quando rehabilita ou vende um cão, o registo de microchip deve ser transferido para o novo proprietário. O proprietário anterior não deve permanecer listado como o cuidador registado. Ambas as partes devem garantir que a transferência seja concluída prontamente.
Microchipagem e Viagens Internacionais
Se planeia viajar para o estrangeiro com o seu cão, o microchip é o primeiro requisito a abordar. Para entrar em países da UE e muitos outros, o seu cão deve ser microchipado com um chip ISO compatível de 15 dígitos antes de receber uma vacinação contra a raiva. A ordem importa: se o seu cão foi vacinado antes de ser microchipado, a vacinação pode não ser reconhecida e pode precisar ser revacina.
Para viagens para certos países fora da UE, requisitos adicionais como um teste de títulos de anticorpos contra a raiva podem ser aplicáveis. Estes devem ser realizados após a vacinação contra a raiva e antes da viagem.
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