O Que é Sarna em Cães?
A sarna é uma doença de pele em cães causada por ácaros microscópicos. O termo abrange várias condições distintas que diferem fundamentalmente na sua causa, contagiosidade, risco zoonótico e tratamento. As duas formas mais clinicamente significativas são a sarna sarcóptica e a sarna demodética, e compreender a diferença entre elas é essencial para os proprietários, pois requerem abordagens de gestão muito diferentes. Um cão com comichão intensa e incessante e um cão com perda de pelo irregular mas sem desconforto aparente podem ser ambos descritos como tendo sarna — mas estão a lidar com espécies de ácaros completamente diferentes e circunstâncias distintas.
Sarna Sarcóptica (Sarna)

O Ácaro Responsável
A sarna sarcóptica é causada por Sarcoptes scabiei var. canis, um ácaro microscópico que se enterra nas camadas superficiais da pele para depositar os seus ovos. A atividade de escavação do ácaro e a resposta alérgica do corpo às proteínas do ácaro são responsáveis pela comichão intensa característica. A sarna sarcóptica é encontrada em toda a Europa e continua a ser uma das causas mais comuns de prurido grave de início súbito em cães.
Contagiosidade e Risco Zoonótico
A sarna sarcóptica é altamente contagiosa entre cães através do contacto direto, e também pode ser transmitida indiretamente através de camas contaminadas, equipamento de higiene e móveis. Este é um dos pontos práticos mais importantes para os proprietários: todos os cães da casa que estiveram em contacto com o animal afetado devem ser tratados, independentemente de apresentarem sintomas.
Criticamente, a sarna sarcóptica é zoonótica — pode ser transmitida de cães para humanos. A forma humana da doença causa pontos vermelhos levantados e intensamente pruriginosos, tipicamente nos braços, tronco e em qualquer lugar que tenha estado em contacto próximo com o cão afetado. O ácaro não consegue completar o seu ciclo de vida na pele humana, por isso a infestação em pessoas é geralmente autolimitada assim que o animal fonte é tratado. No entanto, durante o período de contacto ativo, os sintomas em humanos podem ser significativos. Em alguns estados-membros da União Europeia, a sarna em animais é uma condição notificável — os proprietários na Europa devem verificar os regulamentos atuais aplicáveis no seu país.
Sintomas em Cães
A marca registada da sarna sarcóptica é a comichão intensa e incessante que é frequentemente pior à noite. A distribuição das lesões segue tipicamente um padrão característico:
- Margens das orelhas — formação de crostas e espessamento das bordas da orelha é um sinal clássico precoce, e a coceira da pina quando a margem da orelha é friccionada (o reflexo pinal-pedal) é um indicador diagnóstico útil.
- Cotovelos e jarros — proeminências ósseas onde os ácaros preferem escavar.
- Abdómen e coxas internas — áreas de pele fina.
- Em casos graves ou não tratados, as lesões espalham-se por toda a superfície do corpo.
Perda de pelo, formação de crostas, vermelhidão e traumatismo auto-infligido pela coceira são comuns. Os cães afetados podem estar em considerável sofrimento, e a infeção secundária da pele resultante do autotrama é uma complicação frequente.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico pode ser desafiante porque o ácaro nem sempre é encontrado no exame de raspagem da pele — estudos sugerem que o ácaro é detetado em menos de metade dos casos confirmados. Um diagnóstico clínico baseado na apresentação característica, história de contacto e resposta ao tratamento é comum. Os médicos veterinários frequentemente tratam presuntivamente quando a sarna sarcóptica é suspeita.
O tratamento evoluiu consideravelmente nos últimos anos. A classe de drogas isoxazolina — incluindo fluralaner e sarolaner — é agora amplamente utilizada em toda a Europa e é altamente eficaz contra a sarna sarcóptica. Os tratamentos spot-on com selamectina e ivermectina injetável também são utilizados. Todos os cães em contacto devem ser tratados simultaneamente, e o ambiente deve ser completamente limpo, incluindo lavar toda a roupa de cama em temperatura elevada e aspirar carpetes e estofos.
Sarna Demodética (Demodicose)

O Ácaro Responsável
A sarna demodética é causada por Demodex canis, um ácaro em forma de charuto que vive dentro dos folículos pilosos e glândulas sebáceas da pele. Este ácaro é um habitante normal da pele do cão — pequenas quantidades estão presentes em praticamente todos os cães saudáveis e são transferidas da mãe para o cachorro durante os primeiros dias de vida. A demodicose desenvolve-se quando a população de ácaros se expande além dos níveis normais, o que ocorre quando o sistema imunitário é incapaz de manter os números sob controlo.
Diferenças-Chave da Sarna Sarcóptica
A sarna demodética não é contagiosa nem zoonótica. Não pode ser transmitida entre cães em circunstâncias normais, e não representa risco para a saúde humana. Isto torna-a uma doença completamente diferente da sarna sarcóptica em termos de implicações de saúde pública. A comichão associada à demodicose é também tipicamente muito menos grave do que a observada com sarna sarcóptica — em casos localizados, muitos cães não apresentam desconforto aparente.
Demodicose Localizada vs Generalizada
A demodicose apresenta-se em duas formas distintas com implicações diferentes:
- Demodicose localizada: definida como cinco ou menos manchas discretas de perda de pelo, tipicamente afetando cães jovens entre três e dezoito meses de idade. As lesões aparecem mais comumente na face, à volta dos olhos ou focinho. Na maioria dos casos, a demodicose localizada em cães jovens resolve-se espontaneamente à medida que o sistema imunitário amadurece, sem necessidade de tratamento específico.
- Demodicose generalizada: envolve lesões generalizadas afetando grandes áreas do corpo, múltiplas regiões corporais, ou os pés (pododermatite). A demodicose generalizada é uma condição séria e quase sempre indica supressão imunitária subjacente. As causas possíveis incluem
