Visão Geral do Periquito
O periquito (Melopsittacus undulatus) é o pássaro de estimação mais amplamente mantido no mundo. Nativo da Austrália, onde as populações selvagens ainda se distribuem amplamente pelo interior, o periquito tem sido criado em cativeiro há mais de 150 anos, produzindo uma vasta gama de mutações de cores muito afastadas do verde e amarelo selvagem original. Em cativeiro, os periquitos normalmente vivem entre 5 e 10 anos, embora alguns indivíduos atinjam 12 a 15 anos com cuidados excelentes.
Os periquitos são animais altamente sociais. Na natureza, vivem em grandes bandos, e esta tendência social persiste nos pássaros em cativeiro. Um periquito único mantido sem companheiros necessita de uma interação humana diária significativa para manter-se psicologicamente saudável. Pares — incluindo pares do mesmo sexo — são geralmente mais felizes e menos propensos ao tédio e aos problemas associados que um pássaro solitário pode desenvolver.
Alojamento
A gaiola deve ser tão grande quanto praticamente possível. Crucialmente, a largura é mais importante do que a altura: os periquitos voam horizontalmente, não verticalmente, portanto uma gaiola larga permite o comportamento natural de voo. O espaçamento das barras não deve ser superior a 1,2 cm para evitar que o pássaro fique com a cabeça presa entre as barras.
Evite gaiolas feitas com arame galvanizado, pois o revestimento de zinco pode causar toxicidade por metais pesados se for mastigado. Gaiolas de aço inoxidável ou com revestimento em pó são alternativas mais seguras. Os poleiros devem variar em diâmetro para promover a saúde dos pés — poleiros uniformes de um único diâmetro podem levar a úlceras de pressão. Madeira natural de espécies seguras, como salgueiro ou maçã, é ideal; evite ramos de árvores conhecidas como tóxicas para pássaros.
Alimentação
As dietas apenas à base de sementes são extremamente comuns entre os proprietários de periquitos, e são nutricionalmente inadequadas. As sementes são ricas em gordura e tipicamente deficientes em vitamina A, cálcio e uma variedade de outros nutrientes. Os periquitos alimentados exclusivamente com sementes ao longo da vida têm um risco maior de doenças de deficiência nutricional, obesidade e problemas de órgãos associados.
Uma dieta mais saudável inclui ração formulada como base — transição gradual misturando com sementes, reduzindo a proporção de sementes ao longo de várias semanas. Folhas verdes frescas, como espinafre, couve e rúcula, são adições valiosas. Cenoura, ovo cozido e pequenas quantidades de maçã também são adequadas. Os pips de maçã devem ser removidos, pois contêm compostos cianogénicos. O abacate é tóxico para periquitos e nunca deve ser oferecido. Água fresca e limpa deve estar disponível o tempo todo e ser alterada diariamente.
Condições de Saúde Comuns
Ácaros da Cara Descamativa (Cnemidocoptes pilae)
A infestação por ácaro da cara descamativa é uma das condições mais reconhecíveis em periquitos. O ácaro que cava causa um aparecimento distintivo crostos, puntiformes e em favos de mel ao redor do bico, cera (a área carnuda acima do bico contendo as narinas), pés e pernas. As aves afetadas desenvolvem depósitos espessados e calcários nessas áreas. A condição é prontamente tratável com gotas de ivermectina aplicadas por um veterinário aviário, mas se não for tratada pode causar deformidade permanente do bico. Qualquer periquito mostrando crostos ou crescimentos anormais ao redor da face ou pés deve ser visto por um veterinário prontamente.
Ácaros dos Sacos Aéreos (Sternostoma tracheacolum)
Os ácaros dos sacos aéreos são parasitas que colonizam a traqueia e os sacos aéreos dos pássaros. Embora estejam mais comumente associados aos tentilhões-diamante, afetam os periquitos. Os sinais incluem um som de clique ou sibilância quando o pássaro respira, respiração pela boca aberta, oscilação da cauda (um movimento de bombagem visível da cauda com cada respiração) e mudanças ou perda de vocalização. As aves afetadas também podem parecer letárgicas. O tratamento é com ivermectina ou moxidectina sob orientação veterinária. Os ácaros dos sacos aéreos são contagiosos entre pássaros, portanto qualquer ave afetada deve ser isolada de companheiros de gaiola durante o tratamento.
Doença do Bico e da Pluma em Psitacídeos (PBFDV)
A doença do bico e da pluma em psitacídeos é causada por um circovírus que afeta os folículos de penas e o sistema imunitário. Em periquitos, causa anormalidades progressivas no desenvolvimento das penas — as penas crescem deformadas, não crescem de todo ou caem e não são repostas. Deformidades do bico também podem ocorrer. Não existe tratamento curativo. O vírus é altamente contagioso e pode persistir no ambiente; testar novas aves antes de as introduzir a um bando existente é fortemente recomendado. Qualquer ave mostrando anormalidades progressivas inexplicáveis de penas deve ser avaliada por um veterinário aviário.
Doença do Jovem Periquito (Polyomavírus)
O polyomavírus causa alta mortalidade em ninhadas e filhotes, e é particularmente relevante para criadores. As aves adultas podem portar e espalhar o vírus sem apresentar sinais de doença, tornando o controlo em colónias de criação desafiador. A vacinação está disponível em alguns países europeus. Os proprietários que criam periquitos devem discutir a gestão do polyomavírus com um veterinário aviário.
Tumores
Os tumores são muito comuns em periquitos, particularmente em aves com mais de cinco anos de idade, e são uma das principais causas de doença e morte em aves mais velhas. Os lipomas — tumores benignos de gordura — são frequentemente encontrados sob a pele e são frequentemente visíveis como inchaços suaves. Os tumores testiculares estão entre os tumores mais comuns nos periquitos machos; podem causar alterações hormonais que alteram a cor da cera de seu azul normal para castanho. Os tumores renais (rins) também são comuns e podem causar claudicação ao pressionar o nervo ciático à medida que passa perto do rim. O inchaço abdominal pode indicar um tumor ou outra massa interna. Qualquer caroço, mudança na cor da cera ou claudicação inexplicada justifica um exame por um veterinário aviário.
Problemas de Papo
O papo é uma bolsa no esófago onde o alimento é armazenado temporariamente antes da digestão. Os problemas de papo em periquitos incluem papo azedo (um crescimento excessivo de levedura — Candida — causando regurgitação e um cheiro azedo distintivo), impactação de papo (bloqueio) e motilidade anormal. Estas condições requerem avaliação veterinária e tratamento apropriado em vez de gestão caseira.
Hiperplasia da Tiróide (Bócio)
A deficiência de iodo pode causar aumento da glândula tiróide (bócio) em periquitos. Era historicamente mais comum quando as dietas apenas à base de sementes eram universais; é menos frequentemente vista em aves alimentadas com uma dieta variada incluindo ração formulada. Os sinais incluem sibilância, regurgitação e dificuldade respiratória. A tiróide aumentada pode também comprimir a traqueia, causando obstrução das vias aéreas. Uma dieta equilibrada que inclua ração formulada fornece geralmente iodo adequado. Os casos diagnosticados requerem orientação veterinária.
