Uma Doença Que Mata Coelhos em Horas — e Por Que Muitos Donos Não Sabem Disso
A Doença Viral Hemorrágica do Coelho é uma das ameaças mais graves aos coelhos domésticos no Reino Unido e, no entanto, uma proporção significativa de donos de coelhos de estimação nunca ouviram falar dela. A doença causa hemorragia interna e insuficiência de órgãos, e pode matar um coelho aparentemente saudável em vinte e quatro a setenta e duas horas após a infecção. Existem agora duas estirpes distintas circulando no Reino Unido, cada uma exigindo vacinação separada, e compreender ambas é essencial para qualquer criador responsável de coelhos.
RVHD1: A Estirpe Clássica
RVHD1 (causada pelo Rabbit Haemorrhagic Disease Virus 1, ou RHDV1) está presente no Reino Unido desde os anos 1990. O vírus ataca o fígado, causando necrose hepática fulminante e coagulação intravascular disseminada. A maioria dos coelhos afetados morre acutamente, muitas vezes sem sinais clínicos prévios. Alguns donos encontram o seu coelho morto com descarga manchada de sangue ao redor do nariz ou boca; outros notam colapso súbito, convulsões ou dificuldade em respirar nas horas antes da morte. Uma pequena proporção de coelhos afetados sobrevive, mas sofre dano significativo nos órgãos.
O vírus espalha-se através do contacto direto com coelhos infetados, contacto com superfícies ou objetos contaminados, e através de insetos incluindo moscas e mosquitos. Crucialmente, pode ser transportado em roupas, sapatos e mãos, significando que coelhos domésticos que nunca têm contacto direto com coelhos selvagens ainda correm risco genuíno.
RVHD2: A Ameaça Mais Recente e Complexa


Por Que RVHD2 É Particularmente Perigosa
RVHD2 (causada por RHDV2) foi detetada pela primeira vez em França em 2010 e chegou ao Reino Unido por volta de 2013. Tornou-se a estirpe dominante circulante em muitas partes do país. RVHD2 é mais complexa e mais perigosa por várias razões. Afeta coelhos de todas as idades, incluindo gatinhos com menos de quatro semanas, que eram previamente considerados resistentes a RVHD1. Tem um período de incubação mais longo de três a nove dias comparado a um a três dias para RVHD1. O curso clínico é por vezes mais subagudo, com alguns coelhos sobrevivendo vários dias e apresentando perda de peso, letargia e icterícia — o que pode atrasara diagnose.
Criticamente, RVHD2 também infeta lebres e foi registada em várias espécies selvagens de lagomorfos na Europa, criando um grande reservatório ambiental. O vírus é robusto ambientalmente, sobrevivendo semanas no ambiente e resistente a muitos desinfetantes comuns. Apenas produtos contendo hipoclorito de sódio (lixívia) em concentrações apropriadas, ou agentes virucidas específicos, são fiáveis e eficazes.
Distinguir RVHD1 de RVHD2
Clinicamente, não é possível distinguir de forma confiável as duas estirpes sem teste de laboratório. Qualquer morte súbita num coelho, particularmente uma associada a sinais neurológicos, angústia respiratória ou hemorragia nasal, deve levar a considerar RVHD. O exame post-mortem e o teste de PCR podem confirmar a estirpe. Se suspeitar de RVHD, contacte o seu veterinário prontamente — particularmente se criara vários coelhos, pois a doença pode propagar-se rapidamente através de um grupo.
O Calendário de Vacinação: O Que Precisa de Saber
Vacinas Separadas São Necessárias
Este é o ponto que confunde muitos donos de coelhos. Nenhuma vacina única no Reino Unido fornece atualmente proteção completa contra RVHD1 e RVHD2. São necessárias duas vacinas separadas. A vacina combinada Myxomatose/RVHD1 (Nobivac Myxo-RHD) fornece proteção contra myxomatose e RVHD1. A vacina específica para RVHD2 (Filavac ou Eravac, dependendo da preferência do seu veterinário) fornece proteção contra RVHD2. Ambas as vacinas são administradas por injeção por um veterinário.
Calendário e Intervalos
As duas vacinas não podem ser administradas simultaneamente e devem ser separadas por um intervalo mínimo — tipicamente duas semanas — para evitar interferência. O calendário padrão é o seguinte:
- Curso primário: Vacina Myxo/RVHD1 a partir das cinco semanas de idade; Vacina RVHD2 de dez a doze semanas (ou pelo menos duas semanas após a primeira vacina)
- Reforços anuais: Vacina Myxo/RVHD1 anualmente (alguns veterinários recomendam a cada seis meses em áreas ou estações de alto risco)
- Reforço RVHD2: anualmente, embora alguns veterinários recomendem intervalos de seis em seis meses em áreas com pressão de doença conhecida elevada
O seu veterinário aconselhará sobre o intervalo que se adequa às circunstâncias individuais do seu coelho e ao nível de risco local. Não assuma que porque o seu coelho foi vacinado no ano passado está atualmente protegido — verifique as datas e marque um reforço se estiver em atraso.
Proteger Coelhos Domésticos: Por Que a Vacinação Ainda É Importante


A conceção errada de que coelhos domésticos não precisam de vacinação contra RVHD é genuinamente perigosa. O vírus pode ser transportado para casa em sapatos, roupas e equipamento de jardinagem. Os insetos podem transmiti-lo através de janelas abertas. O feno, palha e legumes frescos comprados em mercados ou cultivados em jardins frequentados por coelhos selvagens representam possíveis rotas de exposição. Nenhum ambiente doméstico é perfeitamente selado. A vacinação permanece como a única proteção confiável.
