Saúde do Jack Russell Terrier: Uma Introdução
O Jack Russell Terrier é um pequeno terrier energético e determinado, desenvolvido principalmente para a caça à raposa. A raça é celebrada pela sua longevidade — não é invulgar que os Jack Russells atinjam quinze ou até dezassete anos de idade — e por uma constituição geralmente mais robusta do que muitas outras raças pequenas. No entanto, juntamente com o seu vigor, os Jack Russells apresentam várias condições hereditárias que os proprietários devem compreender desde o início, particularmente dado o modo como algumas destas condições podem deteriorar-se rapidamente.
Luxação Primária do Cristalino: O Risco de Saúde Mais Urgente
A luxação primária do cristalino (PLL) é uma condição em que o cristalino do olho se desaloja da sua posição normal e cai para a frente até à câmara anterior (luxação anterior) ou para trás até à cavidade vítrea (luxação posterior). A condição é causada por uma mutação no gene ADAMTS17 e segue um padrão de herança autossómica recessiva. Os Jack Russell Terriers têm uma das mais altas taxas de PLL de qualquer raça.
A PLL é uma verdadeira emergência oftalmológica. Quando o cristalino se luxa anteriormente, bloqueia fisicamente a drenagem de fluído do olho, causando um aumento rápido da pressão intraocular. Este glaucoma secundário agudo é extremamente doloroso e causa danos irreversíveis no nervo óptico e na retina. Sem intervenção cirúrgica de emergência — tipicamente dentro de horas após luxação anterior — a cegueira permanente no olho afetado é o resultado provável.
Sinais de Luxação do Cristalino
Os proprietários devem estar familiarizados com os sinais de luxação do cristalino para que possam agir imediatamente se aparecerem:
- Um avermelhamento súbito e marcado da parte branca do olho (injeção escleral).
- Turvação visível ou um halo azulado através do olho — isto pode ser o próprio cristalino numa posição anormal, ou edema da córnea causado pela pressão aumentada.
- O cão a piscar, a esfregaçar o olho, ou a parecer em dor.
- Perda súbita aparente de visão num olho — chocar contra objetos, relutância em mover-se com luz fraca.
Se algum destes sinais aparecer num Jack Russell, trate-o como uma emergência e contacte um oftalmologista veterinário ou uma clínica de emergência imediatamente, mesmo no meio da noite. A janela para salvar a visão é estreita.
Teste do Gene PLL
Um teste de DNA para a mutação PLL está disponível através de vários laboratórios acreditados. Este teste é essencial para todos os Jack Russell Terriers, tanto os utilizados para reprodução como cães de companhia. Os resultados identificam se um cão é livre (sem cópias da mutação), portador (uma cópia — com risco reduzido mas pode passar a mutação à descendência), ou afetado (duas cópias — desenvolverá PLL, tipicamente entre três e oito anos de idade).
Conhecer o estado de PLL do seu cão permite uma monitorização ocular mais frequente em portadores e cães afetados, para que qualquer sinal de instabilidade do cristalino possa ser abordado antes da luxação aguda ocorrer. Os cães confirmados como geneticamente afetados devem ser monitorizados por um oftalmologista veterinário pelo menos anualmente a partir de aproximadamente dois anos de idade.
Surdez e Teste BAER
A surdez sensorioneural congénita ocorre em Jack Russell Terriers, assim como em muitas raças com pelagem branca ou altamente manchadas de branco. A condição está associada a genes envolvidos na pigmentação — especificamente, um número reduzido de melanócitos no ouvido interno perturba o desenvolvimento normal das células ciliadas responsáveis pela audição.
A surdez em Jack Russells pode afetar uma orelha (unilateral) ou ambas as orelhas (bilateral). Os cães com surdez unilateral podem compensar bem e os seus proprietários podem não perceber que há um problema. A surdez bilateral é mais aparente e requer estratégias de gestão diferentes.
O teste Brainstem Auditory Evoked Response (BAER) é o padrão ouro para diagnosticar surdez em cães. É um procedimento indolor em que pequenos elétrodos detetam a resposta elétrica do cérebro ao som, e pode identificar surdez unilateral e bilateral de forma fiável. O teste BAER é fortemente recomendado para todos os cachorros Jack Russell Terrier utilizados para reprodução e é aconselhável para cães de companhia onde se suspeita de surdez.
Os cães surdos podem viver vidas plenas e felizes com uma gestão apropriada — treino utilizando sinais de mão em vez de comandos de voz, por exemplo — mas a surdez bilateral em particular requer consciência do proprietário sobre riscos de segurança, pois cães surdos não conseguem ouvir trânsito aproximado, outros cães, ou o chamamento do proprietário.
Doença de Legg-Calvé-Perthes
A doença de Legg-Calvé-Perthes (também chamada necrose avascular da cabeça do fémur) é uma condição ortopédica que afeta raças pequenas e de brinquedo, incluindo Jack Russells. Envolve uma perturbação do fornecimento de sangue à cabeça do fémur — a bola da articulação da anca — o que causa a morte e degradação óssea. A causa subjacente em cães não é totalmente compreendida, mas pensa-se que tenha uma componente genética.
A condição afeta tipicamente cães jovens entre quatro e doze meses de idade, apresentando-se como claudicação progressiva dos membros posteriores unilateral. O cão pode transportar a perna afetada, mostrar atrofia muscular da região posterior, e parecer em dor quando a anca é manipulada durante o exame. O diagnóstico é confirmado com radiografias, que mostram mudanças características na forma e densidade da cabeça do fémur.
O tratamento padrão é a remoção cirúrgica da cabeça e pescoço do fémur (excisão da cabeça e pescoço do fémur, ou FHNE), que elimina o contacto ósseo doloroso. Os cães pequenos tendem a recuperar muito bem após este procedimento, formando uma articulação falsa funcional a partir do tecido mole circundante. A maioria dos Jack Russells voltam à função normal ou quase normal com fisioterapia pós-operatória apropriada.
Luxação Patelar
A luxação patelar — deslocação da rótula da sua ranhura normal no fémur — é comum em raças pequenas, e os Jack Russells não são exceção. A rótula pode luxar-se medialmente (em direção ao interior da perna, o que é mais comum em raças pequenas) ou, menos frequentemente, lateralmente.
A gravidade é classificada de 1 a 4. As luxações grau 1 são frequentemente identificadas incidentalmente durante exame de rotina, causam desconforto mínimo, e podem nunca necessitar tratamento. As luxações grau 3 e 4 apresentam sintomas mais evidentes e podem exigir intervenção cirúrgica.
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