O Que É a Doença do Disco Intervertebral em Cães?
Entre cada vértebra da coluna vertebral encontra-se uma estrutura de amortecimento chamada disco intervertebral. Estes discos atuam como amortecedores de choque e permitem que a coluna vertebral se flexione e se mova. Cada disco tem uma camada externa resistente chamada ânulo fibroso e um núcleo interior macio, gelatinoso, chamado núcleo pulposo. A doença do disco intervertebral (DDIV) ocorre quando o material do disco se projeta ou rompe no canal espinhal, comprimindo a medula espinhal e causando dor, disfunção neurológica e, em casos graves, paralisia completa.
A DDIV é uma das condições espinhais mais comuns em cães e uma das principais razões pelas quais os cães são submetidos a cirurgia espinhal de emergência. Compreendê-la — e reconhecê-la precocemente — pode fazer uma diferença profunda no resultado para um cão afetado.
Dois Tipos de DDIV

Os profissionais veterinários distinguem entre dois tipos de doença do disco intervertebral, que diferem na forma como se desenvolvem e em quais cães afetam mais comummente.
Hansen Tipo I — Extrusão Aguda do Disco
Na doença de Hansen Tipo I, o núcleo pulposo sofre mineralização prematura — endurece e perde as suas propriedades de amortecimento. Sob o movimento espinhal normal, o material do disco endurecido atravessa a camada fibrosa externa e é expelido com força para o canal espinhal. Este é um evento agudo que pode causar lesão medular grave repentina em minutos ou horas. A doença Tipo I está fortemente associada a raças condrodistóficas — cães com desenvolvimento cartilaginoso anormal — e afeta tipicamente indivíduos mais jovens até meia-idade.
Hansen Tipo II — Protrusão Crónica do Disco
A doença de Hansen Tipo II desenvolve-se gradualmente ao longo do tempo. A camada fibrosa externa do disco dilata-se progressivamente no canal espinhal, comprimindo lentamente a medula espinhal durante meses ou anos. O início é tipicamente muito menos dramático do que o Tipo I, com sintomas que se desenvolvem gradualmente em vez de aparecerem de repente. Este tipo é mais comum em cães de raça grande e tende a afetar indivíduos mais velhos.
Raças Mais Comummente Afetadas
Certas raças enfrentam um risco dramaticamente maior de DDIV do que outras.
- Teckel — de longe a raça mais fortemente associada, com estudos sugerindo que são aproximadamente 25 vezes mais propensos a desenvolver DDIV do que raças não-condrodistóficas. As suas colunas longas e pernas curtas criam stress mecânico excecional nos discos intervertebrais
- Basset Hound
- Beagle
- Cocker Spaniel
- Corgi
- Bulldog Francês
- Shih Tzu
- Dobermann — particularmente afetados pela DDIV cervical (pescoço)
- Labrador Retriever — doença Tipo II mais comum
Reconhecer os Sintomas
A DDIV apresenta-se num espectro de gravidade, e os neurologistas veterinários usam um sistema de classificação de I a V para classificar como é severamente afetada a medula espinhal.
- Grau I — dor espinhal apenas, sem perda de função neurológica. O cão pode estar relutante em saltar, contrair quando tocado sobre a coluna, ou chorar ao mover-se
- Grau II — dor combinada com ataxia (marcha instável, descoordenada) e fraqueza nos membros, mas o cão ainda consegue caminhar
- Grau III — fraqueza significativa com o cão incapaz de caminhar normalmente mas ainda capaz de algum movimento intencional dos membros — isto chama-se paraparesia não-ambulatória
- Grau IV — paralisia completa dos membros posteriores, com perda de controlo da bexiga e intestinos
- Grau V — paralisia completa sem perceção de dor profunda — a classificação mais severa, indicando dano grave à medula espinhal
Os sinais de aviso principais no dia a dia incluem relutância repentina em usar escadas ou saltar para móveis, curvatura das costas, cabeça baixa, choro quando levantado ou acariciado ao longo das costas, e qualquer grau de instabilidade ou arrastar dos membros posteriores.
A DDIV É uma Emergência — Atue Rapidamente

Se o seu cão subitamente perde a capacidade de usar os membros posteriores, isto é uma emergência neurológica. Cada hora de atraso entre o início da paralisia e a cirurgia de descompressão espinhal piora o prognóstico. Cães que progridem para Grau V — onde nenhuma sensação de dor profunda pode ser detectada — enfrentam uma chance significativamente reduzida de recuperação, e esta janela fecha-se mais rapidamente do que muitos proprietários percebem. Se notar qualquer fraqueza súbita dos membros posteriores ou paralisia, contacte uma clínica veterinária imediatamente e organize transporte que minimize o movimento espinhal — carregue o cão em vez de permitir que caminhe.
Diagnóstico
A avaliação inicial envolve um exame neurológico completo para identificar o local e a gravidade da compressão da medula espinhal. As radiografias espinhais padrão podem fornecer evidência de apoio, mas são limitadas na sua capacidade de visualizar diretamente o material do disco no canal espinhal. As investigações de escolha são:
- Ressonância Magnética — a investigação padrão-ouro, proporcionando imagens detalhadas da medula espinhal, discos individuais, e a localização exata e extensão da compressão. A RM guia o planeamento cirúrgico com precisão
- Tomografia Computadorizada — mais rápida que a RM e muito boa na identificação de material discal mineralizado, tornando-a particularmente útil para doença Tipo I
- Mielografia — uma técnica mais antiga envolvendo injeção de corante de contraste no fluido espinhal, agora amplamente ultrapassada por RM e TC mas ainda usada em alguns contextos
Gestão Médica
Para cães em Grau I ou Grau II inicial, a gestão médica conservadora é uma abordagem inicial apropriada. O repouso rigoroso em capoeira durante quatro a seis semanas é o componente único mais importante — isto significa restrição completa da atividade normal, com apenas passeios curtos e controlados para necessidades fisiológicas. A restrição de atividade permite
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